Brasil · atualizado em 28 de outubro de 2026 Opinião · Fatos · Cobrança
República Brasileira Quem promete, deve
Fatos

A economia de cada presidente

Quanto o país cresceu, quanto os preços subiram, quanto valia o dólar e quantos estavam sem emprego. E também o que cada um herdou, o cenário que encontrou lá fora e o que decidiu.

Dados oficiais até set/2026. Fontes: Banco Central e IBGE.

Em números

Governo Período PIB (média ao ano) Inflação (média ao ano) Dólar médio Dólar no início → fim Desemprego início → fim
Sarney 1985–1990 4,4% 585,7% — outra moeda —
Collor 1990–1992 -1,3% 695,9% — outra moeda —
Itamar 1992–1994 5,4% 1.487,8% — outra moeda —
FHC 1995–2002 2,4% 9,1% R$ 1,63 R$ 0,85 → R$ 3,63 —
Lula (1º e 2º) 2003–2010 4,1% 5,8% R$ 2,27 R$ 3,44 → R$ 1,69 —
Dilma 2011–2016 1,1% 7,2% R$ 2,39 R$ 1,67 → R$ 3,57 8,0% → 11,3%
Temer 2016–2018 -0,1% 3,6% R$ 3,40 R$ 3,54 → R$ 3,89 11,3% → 11,7%
Bolsonaro 2019–2022 1,4% 6,1% R$ 4,92 R$ 3,74 → R$ 5,24 12,2% → 7,9%
Lula (3º) 2023–hoje 3,0% 4,7% R$ 5,29 R$ 5,20 → R$ 5,14 8,4% → 5,3%

O PIB de cada ano fica com quem governou a maior parte dele. Antes do Real (julho de 1994) a moeda era outra, por isso não há dólar comparável. O desemprego só tem série oficial comparável (PNAD Contínua) a partir de 2012.

Crescimento, ano a ano

SarneyCollorItamarFHCLulaDilmaTemerBolsonaroLula -4% 0% 4% 8% 1985: 7,9% 1986: 7,5% 1987: 3,5% 1988: -0,1% 1989: 3,2% 1990: -4,4% 1991: 1,0% 1992: -0,5% 1993: 4,9% 1994: 5,9% 1995: 4,2% 1996: 2,2% 1997: 3,4% 1998: 0,3% 1999: 0,5% 2000: 4,4% 2001: 1,4% 2002: 3,1% 2003: 1,1% 2004: 5,8% 2005: 3,2% 2006: 4,0% 2007: 6,1% 2008: 5,1% 2009: -0,1% 2010: 7,5% 2011: 4,0% 2012: 1,9% 2013: 3,0% 2014: 0,5% 2015: -3,6% 2016: -3,3% 2017: 1,3% 2018: 1,8% 2019: 1,2% 2020: -3,3% 2021: 4,8% 2022: 3,0% 2023: 3,2% 2024: 3,4% 2025: 2,3% 1985 1990 1995 2000 2005 2010 2015 2020 2025
Variação real do PIB (%). Fonte: IBGE, via Banco Central (série 7326). Passe o mouse nas barras para ver o valor.

Crescimento médio por governo

Sarney
4,4%
Collor
-1,3%
Itamar
5,4%
FHC
2,4%
Lula (1º e 2º)
4,1%
Dilma
1,1%
Temer
-0,1%
Bolsonaro
1,4%
Lula (3º)
3,0%

Inflação: antes e depois do Real

Antes do Plano Real, o Brasil viveu uma hiperinflação. Os números são de outra escala e não cabem no mesmo gráfico:

586% ao ano, em média · Sarney
696% ao ano, em média · Collor
1.488% ao ano, em média · Itamar

Depois do Real, a média anual de cada governo:

FHC
9,1%
Lula (1º e 2º)
5,8%
Dilma
7,2%
Temer
3,6%
Bolsonaro
6,1%
Lula (3º)
4,7%

O dólar desde o Real

FHCLulaDilmaTemerBolsonaroLula R$ 0 R$ 2 R$ 4 R$ 6 1996 2000 2004 2008 2012 2016 2020 2024
Dólar comercial (venda), média mensal em reais, valores nominais. Fonte: Banco Central (série 3698).

Valores nominais: R$ 3 em 2002 valiam muito mais do que R$ 3 hoje, por causa da inflação acumulada no período. O gráfico mostra a tendência de cada governo, não o poder de compra.

Governo a governo

Sarney

1985–1990

PIB/ano 4,4%
Inflação/ano 585,7%

Promessas e mandatos →

O que herdou
Dívida externa enorme e inflação alta deixadas pela ditadura.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
A "década perdida" da América Latina: crédito externo fechado e juros americanos altos. Em 1987 o Brasil decretou moratória da dívida externa.
O que decidiu
Cinco planos econômicos com congelamento de preços: Cruzado (1986), Cruzado II, Bresser (1987) e Verão (1989). Todos fracassaram.

O PIB cresceu, mas o governo terminou em hiperinflação, acima de 1.000% ao ano.

Collor

1990–1992

PIB/ano -1,3%
Inflação/ano 695,9%

Promessas e mandatos →

O que herdou
Hiperinflação.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
Fim da Guerra Fria e onda de liberalização econômica no mundo.
O que decidiu
Plano Collor, com bloqueio de 80% da poupança. Abertura comercial, com redução das tarifas de importação, e início do programa de privatizações.

Recessão de 4,3% em 1990, e a inflação voltou a subir.

Itamar

1992–1994

PIB/ano 5,4%
Inflação/ano 1.487,8%

Promessas e mandatos →

O que herdou
Hiperinflação e uma crise política após o impeachment.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
Juros internacionais em queda e capital voltando aos países emergentes.
O que decidiu
Plano Real: a URV em fevereiro de 1994 e a nova moeda em julho, com Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda.

A inflação média do governo é altíssima porque inclui os meses antes do Real. Depois de julho de 1994, ela despencou.

FHC

1995–2002

PIB/ano 2,4%
Inflação/ano 9,1%
Dólar médio R$ 1,63

Promessas e mandatos →

O que herdou
Uma moeda nova e frágil, ainda em teste.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
Ambiente externo hostil, com crises no México (1995), na Ásia (1997), na Rússia (1998) e na Argentina (2001), além do apagão de energia (2001).
O que decidiu
Câmbio controlado até 1999, depois o tripé macroeconômico: metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. Privatizações (Vale, Telebras), Lei de Responsabilidade Fiscal e acordos com o FMI.

O dólar saiu de R$ 0,85 para R$ 3,63. O salto de 2002 refletiu também o medo do mercado com a eleição de Lula.

Lula (1º e 2º)

2003–2010

PIB/ano 4,1%
Inflação/ano 5,8%
Dólar médio R$ 2,27

Promessas e mandatos →

O que herdou
Inflação controlada, o tripé macroeconômico e um dólar caro.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
O superciclo das commodities, com a China comprando minério, soja e petróleo como nunca. Juros baixos no mundo até a crise global de 2008.
O que decidiu
Manteve o tripé no início, quitou a dívida com o FMI (2005) e acumulou reservas. Bolsa Família, aumento real do salário mínimo e expansão do crédito. Em 2008, estímulos para enfrentar a crise.

O PIB chegou a crescer 7,5% em 2010 e o dólar caiu de R$ 3,44 para R$ 1,69. Parte do mérito é do cenário externo favorável.

Dilma

2011–2016

PIB/ano 1,1%
Inflação/ano 7,2%
Dólar médio R$ 2,39
Desemprego 8,0 → 11,3%

Promessas e mandatos →

O que herdou
Economia aquecida, mas com o fim do boom das commodities se aproximando.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
Queda dos preços das commodities e desaceleração da China.
O que decidiu
"Nova Matriz Econômica": redução forçada dos juros em 2012, desonerações para setores escolhidos e controle dos preços de energia e combustíveis. As "pedaladas fiscais" levaram ao impeachment.

Recessão de 3,5% em 2015, uma das piores da história. O desemprego subiu de 8,0% para 11,3%.

Temer

2016–2018

PIB/ano -0,1%
Inflação/ano 3,6%
Dólar médio R$ 3,40
Desemprego 11,3 → 11,7%

Promessas e mandatos →

O que herdou
A recessão de 2015–2016 em curso e desemprego alto.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
Recuperação lenta do mundo e preços das commodities ainda baixos.
O que decidiu
Teto de gastos, reforma trabalhista e queda da Selic de 14,25% para 6,5%. Greve dos caminhoneiros em 2018.

O PIB médio é negativo porque 2016, ano de recessão iniciada antes dele, entra na conta. Em 2017 e 2018, o PIB cresceu 1,3% e 1,8%.

Bolsonaro

2019–2022

PIB/ano 1,4%
Inflação/ano 6,1%
Dólar médio R$ 4,92
Desemprego 12,2 → 7,9%

Promessas e mandatos →

O que herdou
Economia saindo da recessão, inflação baixa e desemprego acima de 12%.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
A pandemia* de 2020 e, em 2022, a guerra na Ucrânia, que encareceu energia e alimentos no mundo inteiro.
O que decidiu
Reforma da Previdência (2019) e autonomia do Banco Central. Auxílio Emergencial na pandemia* e corte de impostos sobre combustíveis em 2022.

O PIB caiu 3,3% em 2020 e a inflação chegou a 10% em 2021. O desemprego caiu de 12,2% para 7,9% na retomada pós-pandemia*.

Lula (3º)

2023–hoje

PIB/ano 3,0%
Inflação/ano 4,7%
Dólar médio R$ 5,29
Desemprego 8,4 → 5,3%

Promessas e mandatos →

O que herdou
Desemprego em queda, inflação alta recém-controlada e pressão por mais gastos sociais.
O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
Juros altos nos EUA e dólar forte no mundo.
O que decidiu
PEC da Transição, com aumento de gastos, novo arcabouço fiscal, reforma tributária e isenção do IR até R$ 5 mil. O Banco Central levou a Selic a 15% para conter a inflação.

O desemprego chegou ao menor nível da série histórica (5,3%). A dívida pública e o custo dos juros são a principal preocupação do mercado.

Como os números foram calculados