A economia de cada presidente
Quanto o país cresceu, quanto os preços subiram, quanto valia o dólar e quantos estavam sem emprego. E também o que cada um herdou, o cenário que encontrou lá fora e o que decidiu.
Dados oficiais até set/2026. Fontes: Banco Central e IBGE.
Em números
| Governo | Período | PIB (média ao ano) | Inflação (média ao ano) | Dólar médio | Dólar no início → fim | Desemprego início → fim |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sarney | 1985–1990 | 4,4% | 585,7% | — | outra moeda | — |
| Collor | 1990–1992 | -1,3% | 695,9% | — | outra moeda | — |
| Itamar | 1992–1994 | 5,4% | 1.487,8% | — | outra moeda | — |
| FHC | 1995–2002 | 2,4% | 9,1% | R$ 1,63 | R$ 0,85 → R$ 3,63 | — |
| Lula (1º e 2º) | 2003–2010 | 4,1% | 5,8% | R$ 2,27 | R$ 3,44 → R$ 1,69 | — |
| Dilma | 2011–2016 | 1,1% | 7,2% | R$ 2,39 | R$ 1,67 → R$ 3,57 | 8,0% → 11,3% |
| Temer | 2016–2018 | -0,1% | 3,6% | R$ 3,40 | R$ 3,54 → R$ 3,89 | 11,3% → 11,7% |
| Bolsonaro | 2019–2022 | 1,4% | 6,1% | R$ 4,92 | R$ 3,74 → R$ 5,24 | 12,2% → 7,9% |
| Lula (3º) | 2023–hoje | 3,0% | 4,7% | R$ 5,29 | R$ 5,20 → R$ 5,14 | 8,4% → 5,3% |
O PIB de cada ano fica com quem governou a maior parte dele. Antes do Real (julho de 1994) a moeda era outra, por isso não há dólar comparável. O desemprego só tem série oficial comparável (PNAD Contínua) a partir de 2012.
Crescimento, ano a ano
Crescimento médio por governo
Inflação: antes e depois do Real
Antes do Plano Real, o Brasil viveu uma hiperinflação. Os números são de outra escala e não cabem no mesmo gráfico:
Depois do Real, a média anual de cada governo:
O dólar desde o Real
Valores nominais: R$ 3 em 2002 valiam muito mais do que R$ 3 hoje, por causa da inflação acumulada no período. O gráfico mostra a tendência de cada governo, não o poder de compra.
Governo a governo
- O que herdou
- Dívida externa enorme e inflação alta deixadas pela ditadura.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- A "década perdida" da América Latina: crédito externo fechado e juros americanos altos. Em 1987 o Brasil decretou moratória da dívida externa.
- O que decidiu
- Cinco planos econômicos com congelamento de preços: Cruzado (1986), Cruzado II, Bresser (1987) e Verão (1989). Todos fracassaram.
O PIB cresceu, mas o governo terminou em hiperinflação, acima de 1.000% ao ano.
- O que herdou
- Hiperinflação.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- Fim da Guerra Fria e onda de liberalização econômica no mundo.
- O que decidiu
- Plano Collor, com bloqueio de 80% da poupança. Abertura comercial, com redução das tarifas de importação, e início do programa de privatizações.
Recessão de 4,3% em 1990, e a inflação voltou a subir.
- O que herdou
- Hiperinflação e uma crise política após o impeachment.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- Juros internacionais em queda e capital voltando aos países emergentes.
- O que decidiu
- Plano Real: a URV em fevereiro de 1994 e a nova moeda em julho, com Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda.
A inflação média do governo é altíssima porque inclui os meses antes do Real. Depois de julho de 1994, ela despencou.
- O que herdou
- Uma moeda nova e frágil, ainda em teste.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- Ambiente externo hostil, com crises no México (1995), na Ásia (1997), na Rússia (1998) e na Argentina (2001), além do apagão de energia (2001).
- O que decidiu
- Câmbio controlado até 1999, depois o tripé macroeconômico: metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário. Privatizações (Vale, Telebras), Lei de Responsabilidade Fiscal e acordos com o FMI.
O dólar saiu de R$ 0,85 para R$ 3,63. O salto de 2002 refletiu também o medo do mercado com a eleição de Lula.
- O que herdou
- Inflação controlada, o tripé macroeconômico e um dólar caro.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- O superciclo das commodities, com a China comprando minério, soja e petróleo como nunca. Juros baixos no mundo até a crise global de 2008.
- O que decidiu
- Manteve o tripé no início, quitou a dívida com o FMI (2005) e acumulou reservas. Bolsa Família, aumento real do salário mínimo e expansão do crédito. Em 2008, estímulos para enfrentar a crise.
O PIB chegou a crescer 7,5% em 2010 e o dólar caiu de R$ 3,44 para R$ 1,69. Parte do mérito é do cenário externo favorável.
Dilma
2011–2016
- O que herdou
- Economia aquecida, mas com o fim do boom das commodities se aproximando.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- Queda dos preços das commodities e desaceleração da China.
- O que decidiu
- "Nova Matriz Econômica": redução forçada dos juros em 2012, desonerações para setores escolhidos e controle dos preços de energia e combustíveis. As "pedaladas fiscais" levaram ao impeachment.
Recessão de 3,5% em 2015, uma das piores da história. O desemprego subiu de 8,0% para 11,3%.
Temer
2016–2018
- O que herdou
- A recessão de 2015–2016 em curso e desemprego alto.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- Recuperação lenta do mundo e preços das commodities ainda baixos.
- O que decidiu
- Teto de gastos, reforma trabalhista e queda da Selic de 14,25% para 6,5%. Greve dos caminhoneiros em 2018.
O PIB médio é negativo porque 2016, ano de recessão iniciada antes dele, entra na conta. Em 2017 e 2018, o PIB cresceu 1,3% e 1,8%.
Bolsonaro
2019–2022
- O que herdou
- Economia saindo da recessão, inflação baixa e desemprego acima de 12%.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- A pandemia* de 2020 e, em 2022, a guerra na Ucrânia, que encareceu energia e alimentos no mundo inteiro.
- O que decidiu
- Reforma da Previdência (2019) e autonomia do Banco Central. Auxílio Emergencial na pandemia* e corte de impostos sobre combustíveis em 2022.
O PIB caiu 3,3% em 2020 e a inflação chegou a 10% em 2021. O desemprego caiu de 12,2% para 7,9% na retomada pós-pandemia*.
Lula (3º)
2023–hoje
- O que herdou
- Desemprego em queda, inflação alta recém-controlada e pressão por mais gastos sociais.
- O cenário (o que "surfou" ou enfrentou)
- Juros altos nos EUA e dólar forte no mundo.
- O que decidiu
- PEC da Transição, com aumento de gastos, novo arcabouço fiscal, reforma tributária e isenção do IR até R$ 5 mil. O Banco Central levou a Selic a 15% para conter a inflação.
O desemprego chegou ao menor nível da série histórica (5,3%). A dívida pública e o custo dos juros são a principal preocupação do mercado.
Como os números foram calculados
- PIB: média geométrica do crescimento real anual (IBGE, série 7326 do Banco Central).
- Inflação: IPCA acumulado mês a mês no período e convertido em média anual (série 433).
- Dólar: média das cotações mensais de venda, só a partir do Real (série 3698).
- Desemprego: taxa da PNAD Contínua no primeiro e no último mês do governo (série 24369).
- Dilma governou até abril de 2016, e Temer a partir de maio. O PIB de 2016 entra na conta de Temer, que governou a maior parte do ano.