Brasil · atualizado em 28 de outubro de 2026 Opinião · Fatos · Cobrança
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Fatos

Educação e programas sociais

A educação melhorou desde 1985? Quem abriu mais universidades? Quem criou e quem ampliou os programas que mais chegam à população? Os números oficiais, governo por governo.

25,5% → 7,0% analfabetismo de 1980 a 2022 (Censo)
3,8 → 6,3 Ideb dos anos iniciais, de 2005 a 2025
1,7 → 10,2 mi alunos no ensino superior, de 1995 a 2024

Analfabetismo

Pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever um bilhete simples, segundo os Censos do IBGE:

1980
25,5%
1991
20,1%
2000
13,6%
2010
9,6%
2022
7,0%

Pela PNAD Contínua, que usa outra metodologia, a taxa caiu de 6,7% em 2016 para 4,9% em 2025, o menor nível da série. A queda é contínua há 40 anos e atravessa todos os governos; a maior parte dos analfabetos de hoje é idosa e vive no Nordeste.

Ideb: a qualidade da escola

O Ideb, criado em 2007 com dados desde 2005, junta a nota dos alunos em provas nacionais com a taxa de aprovação. É o principal termômetro da educação básica.

Lula Dilma Temer Bolsonaro Lula 3 4 5 6 7 20052007200920112013201520172019202120232025 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2005: 3,8 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2007: 4,2 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2009: 4,6 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2011: 5,0 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2013: 5,2 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2015: 5,5 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2017: 5,8 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2019: 5,9 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2021: 5,8 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2023: 6,0 Anos iniciais (1º ao 5º ano), 2025: 6,3 6,3 · Anos iniciais Anos finais (6º ao 9º ano), 2005: 3,5 Anos finais (6º ao 9º ano), 2007: 3,8 Anos finais (6º ao 9º ano), 2009: 4,0 Anos finais (6º ao 9º ano), 2011: 4,1 Anos finais (6º ao 9º ano), 2013: 4,2 Anos finais (6º ao 9º ano), 2015: 4,5 Anos finais (6º ao 9º ano), 2017: 4,7 Anos finais (6º ao 9º ano), 2019: 4,9 Anos finais (6º ao 9º ano), 2021: 5,1 Anos finais (6º ao 9º ano), 2023: 5,0 Anos finais (6º ao 9º ano), 2025: 5,3 5,3 · Anos finais Ensino médio, 2005: 3,4 Ensino médio, 2007: 3,5 Ensino médio, 2009: 3,6 Ensino médio, 2011: 3,7 Ensino médio, 2013: 3,7 Ensino médio, 2015: 3,7 Ensino médio, 2017: 3,8 Ensino médio, 2019: 4,2 Ensino médio, 2021: 4,2 Ensino médio, 2023: 4,3 Ensino médio, 2025: 4,5 4,5 · Ensino médio
Anos iniciais (1º ao 5º ano)Anos finais (6º ao 9º ano)Ensino médio
Ideb de 0 a 10, redes pública e privada. Fonte: Inep/MEC. Passe o mouse nos pontos para ver o valor.
Etapa 20052007200920112013201520172019202120232025
Anos iniciais (1º ao 5º ano) 3,84,24,65,05,25,55,85,95,86,06,3
Anos finais (6º ao 9º ano) 3,53,84,04,14,24,54,74,95,15,05,3
Ensino médio 3,43,53,63,73,73,73,84,24,24,34,5

O que os números mostram: os anos iniciais melhoraram em todos os governos, de forma quase contínua. Os anos finais avançaram mais devagar. O ensino médio ficou parado em 3,7 de 2011 a 2015 e só voltou a subir a partir de 2019.

Pisa: o Brasil comparado ao mundo

EdiçãoMatemáticaLeituraCiências
2018 384 413 404
2022 379 410 403
2025 377 408 409

O Brasil segue entre os últimos colocados, abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas, e os resultados estão praticamente estáveis desde 2009. A distância para os países ricos diminuiu de 2006 para 2025, mas continua grande: em matemática, 73% dos alunos brasileiros não atingiram o nível básico em 2022.

Universidades: quem abriu mais?

Universidades federais criadas por lei em cada governo, pela contagem do MEC obtida pela Agência Pública em 2017, durante o governo Temer. Cada criação tem uma lei pública, que pode ser conferida. "Do zero" são as que não existiam antes em nenhuma forma; as demais foram escolas e faculdades promovidas a universidade, universidades estaduais federalizadas ou campi separados de universidades mais antigas. Onde aparece "—", não há levantamento confiável.

GovernoCriadasDo zeroQuaisObservação
JK (1956–1961), antes da ditadura 11 — Ex.: UFJF (1960), que reuniu e federalizou cinco faculdades que já existiam em Juiz de Fora; UFES (1961), que era uma universidade estadual Segundo lugar na contagem do MEC. Como as de Lula, a maioria nasceu de faculdades ou universidades que já existiam e foram federalizadas.
Ditadura militar (1964–1985) várias — Só no governo Costa e Silva (1967–1969) foram 6, segundo o MEC. Ex.: UFSCar e UFS (1968), UFOP, UFPel e FURG (1969), UFMT (1970), UFMS (1979), UNIR (1982) A rede federal cresceu, mas a marca do período foi a Reforma Universitária de 1968, que abriu caminho para a expansão das faculdades privadas.
FHC 6 1 UFLA e Unifesp (1994), UFT (2000), UFCG, Univasf e UFRA (2002) Só a Univasf nasceu do zero; as outras vieram de escolas federais, de campi desmembrados ou da antiga universidade estadual do Tocantins. As leis da UFLA e da Unifesp são de dezembro de 1994 (governo Itamar), mas o MEC as conta com FHC. Desmente a frase "tucanos não criaram nenhuma universidade".
Lula (2003–2010) 14 5 Do zero: UFABC, Unipampa, UFFS, Unila e Unilab. Transformadas de escolas e faculdades: UTFPR, Unifal, UFTM, UFVJM, UFERSA e UFCSPA. Desmembradas de campi: UFGD, UFRB e UFOPA O maior número da história. Das escolas transformadas, só a da UFERSA (ESAM, 1967) e o campus de Dourados (UFGD, anos 1970) vêm da ditadura; as demais são de 1909 a 1961. Houve ainda o Reuni (2007), que ampliou vagas nas federais existentes, e 38 Institutos Federais (2008).
Dilma 4 1 Do zero: UFSB. Desmembradas: UFOB, UFCA e Unifesspa (2013) Também enviou ao Congresso os projetos de universidades que só seriam sancionadas em 2018.
Temer 5 0 UFCAT, UFJ, UFR, UFAPE e UFDPar (2018) Todas por desmembramento de campi existentes; quatro vieram de projetos do governo Dilma.
Bolsonaro 1 0 UFNT (2019) Desmembrada da UFT.
Lula (2023–2026) 2 — Unind e UFEsporte (2026) Projetos enviados em 2025.

A ditadura ou depois? Pela contagem do MEC, quem mais criou universidades federais foi Lula (14, em 2003–2010), seguido de JK (11) e, empatados, Costa e Silva, já na ditadura, e FHC (6 cada). A ditadura espalhou universidades pelos estados, mas sua principal herança no ensino superior foi o crescimento das faculdades privadas, depois da reforma de 1968.

O número esconde um detalhe: a maioria das universidades "novas", em todos os governos, já existia de outra forma. Das 14 de Lula, 9 foram escolas, faculdades ou campi promovidos a universidade, e só 5 foram criadas do zero. Das 5 de Temer e da única de Bolsonaro, nenhuma. Transformar uma faculdade em universidade traz mais orçamento, cursos e autonomia, mas não é o mesmo que abrir uma instituição onde não havia nada. Para medir a expansão, as matrículas dizem mais. Alunos no ensino superior, em milhões:

1995
1,7
2006
4,9
2010
6,4
2018
8,5
2024
10,2

Hoje, cerca de 80% dos alunos de graduação estão em instituições privadas, e o ensino a distância já supera o presencial.

Os programas mais conhecidos: quem criou, quem mudou

ProgramaÁreaQuem criouQuem ampliou ou mudouHoje
SUS Saúde Constituição de 1988 (governo Sarney) e Lei 8.080/1990 (Collor) Saúde da Família (Itamar, 1994), remédios genéricos (FHC, 1999), Mais Médicos (Dilma, 2013) Ativo
BPC Assistência Constituição de 1988 e LOAS (Itamar, 1993) Benefício de um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda Ativo
Bolsa Família Renda Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás (FHC, 2001); unificados no Bolsa Família (Lula, 2003) Virou Auxílio Brasil, com valor mínimo maior (Bolsonaro, 2021); voltou a ser Bolsa Família com adicional por criança (Lula, 2023) Ativo
Auxílio Emergencial Renda Congresso e governo Bolsonaro (2020), na pandemia* Valor reduzido em 2021 Encerrado
Farmácia Popular Saúde Lula (2004) Remédios gratuitos para hipertensão e diabetes (Dilma, 2011); gratuidade ampliada (Lula, 2025) Ativo
Mais Médicos Saúde Dilma (2013) Substituído pelo Médicos pelo Brasil (Bolsonaro, 2019); retomado (Lula, 2023) Ativo
Minha Casa, Minha Vida Moradia Lula (2009) Virou Casa Verde e Amarela (Bolsonaro, 2020); retomado (Lula, 2023) Ativo
Fundef / Fundeb Educação Fundef (FHC, 1996) Fundeb, ampliado ao ensino infantil e médio (Lula, 2007); tornado permanente pelo Congresso (2020) Ativo
Enem e Sisu Educação Enem (FHC, 1998) Enem vira porta de entrada nas federais com o Sisu (Lula, 2009–2010) Ativo
Fies Educação FHC (1999) Forte expansão (Dilma, 2010–2014), seguida de cortes e regras mais duras a partir de 2015 Ativo, menor
ProUni Educação Lula (2004) Bolsas em faculdades privadas em troca de isenção de impostos Ativo
Lei de Cotas Educação Dilma (2012) Revisada e mantida (Lula, 2023) Ativo
Pé-de-Meia Educação Lula (2024) Poupança para alunos de baixa renda que concluem o ensino médio Ativo
Opinião

Quem melhorou a educação, afinal?

Ninguém sozinho. A educação brasileira melhorou devagar e de forma contínua, atravessando governos de todos os lados. Os programas que funcionaram foram os que sobreviveram às trocas de presidente.

FHC montou a base: o Fundef garantiu dinheiro por aluno para as escolas, o Enem e o Fies foram criados e a escola fundamental ficou praticamente universal. Lula ampliou: transformou o Fundef em Fundeb, criou o ProUni, o Sisu, os Institutos Federais e a maior leva de universidades federais. Dilma criou as cotas e inflou o Fies além do que o orçamento aguentava. Temer fez a reforma do ensino médio e a Base Nacional Comum Curricular. Os anos iniciais seguiram melhorando com Bolsonaro, mesmo com a pandemia*, e o Congresso tornou o Fundeb permanente em 2020.

O exemplo que mais funcionou não veio de Brasília: o Ceará criou em 2007 um programa de alfabetização na idade certa que levou suas escolas ao topo do Ideb e depois foi copiado pelo governo federal.

O que cobrar: o ensino médio e o desempenho no Pisa continuam muito ruins. Ampliar vagas foi o que o Brasil soube fazer; agora o desafio é garantir que o aluno aprenda.

Fontes