Educação e programas sociais
A educação melhorou desde 1985? Quem abriu mais universidades? Quem criou e quem ampliou os programas que mais chegam à população? Os números oficiais, governo por governo.
Analfabetismo
Pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever um bilhete simples, segundo os Censos do IBGE:
Pela PNAD Contínua, que usa outra metodologia, a taxa caiu de 6,7% em 2016 para 4,9% em 2025, o menor nível da série. A queda é contínua há 40 anos e atravessa todos os governos; a maior parte dos analfabetos de hoje é idosa e vive no Nordeste.
Ideb: a qualidade da escola
O Ideb, criado em 2007 com dados desde 2005, junta a nota dos alunos em provas nacionais com a taxa de aprovação. É o principal termômetro da educação básica.
| Etapa | 2005 | 2007 | 2009 | 2011 | 2013 | 2015 | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Anos iniciais (1º ao 5º ano) | 3,8 | 4,2 | 4,6 | 5,0 | 5,2 | 5,5 | 5,8 | 5,9 | 5,8 | 6,0 | 6,3 |
| Anos finais (6º ao 9º ano) | 3,5 | 3,8 | 4,0 | 4,1 | 4,2 | 4,5 | 4,7 | 4,9 | 5,1 | 5,0 | 5,3 |
| Ensino médio | 3,4 | 3,5 | 3,6 | 3,7 | 3,7 | 3,7 | 3,8 | 4,2 | 4,2 | 4,3 | 4,5 |
O que os números mostram: os anos iniciais melhoraram em todos os governos, de forma quase contínua. Os anos finais avançaram mais devagar. O ensino médio ficou parado em 3,7 de 2011 a 2015 e só voltou a subir a partir de 2019.
Pisa: o Brasil comparado ao mundo
| Edição | Matemática | Leitura | Ciências |
|---|---|---|---|
| 2018 | 384 | 413 | 404 |
| 2022 | 379 | 410 | 403 |
| 2025 | 377 | 408 | 409 |
O Brasil segue entre os últimos colocados, abaixo da média dos países da OCDE nas três áreas, e os resultados estão praticamente estáveis desde 2009. A distância para os países ricos diminuiu de 2006 para 2025, mas continua grande: em matemática, 73% dos alunos brasileiros não atingiram o nível básico em 2022.
Universidades: quem abriu mais?
Universidades federais criadas por lei em cada governo, pela contagem do MEC obtida pela Agência Pública em 2017, durante o governo Temer. Cada criação tem uma lei pública, que pode ser conferida. "Do zero" são as que não existiam antes em nenhuma forma; as demais foram escolas e faculdades promovidas a universidade, universidades estaduais federalizadas ou campi separados de universidades mais antigas. Onde aparece "—", não há levantamento confiável.
| Governo | Criadas | Do zero | Quais | Observação |
|---|---|---|---|---|
| JK (1956–1961), antes da ditadura | 11 | — | Ex.: UFJF (1960), que reuniu e federalizou cinco faculdades que já existiam em Juiz de Fora; UFES (1961), que era uma universidade estadual | Segundo lugar na contagem do MEC. Como as de Lula, a maioria nasceu de faculdades ou universidades que já existiam e foram federalizadas. |
| Ditadura militar (1964–1985) | várias | — | Só no governo Costa e Silva (1967–1969) foram 6, segundo o MEC. Ex.: UFSCar e UFS (1968), UFOP, UFPel e FURG (1969), UFMT (1970), UFMS (1979), UNIR (1982) | A rede federal cresceu, mas a marca do período foi a Reforma Universitária de 1968, que abriu caminho para a expansão das faculdades privadas. |
| FHC | 6 | 1 | UFLA e Unifesp (1994), UFT (2000), UFCG, Univasf e UFRA (2002) | Só a Univasf nasceu do zero; as outras vieram de escolas federais, de campi desmembrados ou da antiga universidade estadual do Tocantins. As leis da UFLA e da Unifesp são de dezembro de 1994 (governo Itamar), mas o MEC as conta com FHC. Desmente a frase "tucanos não criaram nenhuma universidade". |
| Lula (2003–2010) | 14 | 5 | Do zero: UFABC, Unipampa, UFFS, Unila e Unilab. Transformadas de escolas e faculdades: UTFPR, Unifal, UFTM, UFVJM, UFERSA e UFCSPA. Desmembradas de campi: UFGD, UFRB e UFOPA | O maior número da história. Das escolas transformadas, só a da UFERSA (ESAM, 1967) e o campus de Dourados (UFGD, anos 1970) vêm da ditadura; as demais são de 1909 a 1961. Houve ainda o Reuni (2007), que ampliou vagas nas federais existentes, e 38 Institutos Federais (2008). |
| Dilma | 4 | 1 | Do zero: UFSB. Desmembradas: UFOB, UFCA e Unifesspa (2013) | Também enviou ao Congresso os projetos de universidades que só seriam sancionadas em 2018. |
| Temer | 5 | 0 | UFCAT, UFJ, UFR, UFAPE e UFDPar (2018) | Todas por desmembramento de campi existentes; quatro vieram de projetos do governo Dilma. |
| Bolsonaro | 1 | 0 | UFNT (2019) | Desmembrada da UFT. |
| Lula (2023–2026) | 2 | — | Unind e UFEsporte (2026) | Projetos enviados em 2025. |
A ditadura ou depois? Pela contagem do MEC, quem mais criou universidades federais foi Lula (14, em 2003–2010), seguido de JK (11) e, empatados, Costa e Silva, já na ditadura, e FHC (6 cada). A ditadura espalhou universidades pelos estados, mas sua principal herança no ensino superior foi o crescimento das faculdades privadas, depois da reforma de 1968.
O número esconde um detalhe: a maioria das universidades "novas", em todos os governos, já existia de outra forma. Das 14 de Lula, 9 foram escolas, faculdades ou campi promovidos a universidade, e só 5 foram criadas do zero. Das 5 de Temer e da única de Bolsonaro, nenhuma. Transformar uma faculdade em universidade traz mais orçamento, cursos e autonomia, mas não é o mesmo que abrir uma instituição onde não havia nada. Para medir a expansão, as matrículas dizem mais. Alunos no ensino superior, em milhões:
Hoje, cerca de 80% dos alunos de graduação estão em instituições privadas, e o ensino a distância já supera o presencial.
Os programas mais conhecidos: quem criou, quem mudou
| Programa | Área | Quem criou | Quem ampliou ou mudou | Hoje |
|---|---|---|---|---|
| SUS | Saúde | Constituição de 1988 (governo Sarney) e Lei 8.080/1990 (Collor) | Saúde da Família (Itamar, 1994), remédios genéricos (FHC, 1999), Mais Médicos (Dilma, 2013) | Ativo |
| BPC | Assistência | Constituição de 1988 e LOAS (Itamar, 1993) | Benefício de um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda | Ativo |
| Bolsa Família | Renda | Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás (FHC, 2001); unificados no Bolsa Família (Lula, 2003) | Virou Auxílio Brasil, com valor mínimo maior (Bolsonaro, 2021); voltou a ser Bolsa Família com adicional por criança (Lula, 2023) | Ativo |
| Auxílio Emergencial | Renda | Congresso e governo Bolsonaro (2020), na pandemia* | Valor reduzido em 2021 | Encerrado |
| Farmácia Popular | Saúde | Lula (2004) | Remédios gratuitos para hipertensão e diabetes (Dilma, 2011); gratuidade ampliada (Lula, 2025) | Ativo |
| Mais Médicos | Saúde | Dilma (2013) | Substituído pelo Médicos pelo Brasil (Bolsonaro, 2019); retomado (Lula, 2023) | Ativo |
| Minha Casa, Minha Vida | Moradia | Lula (2009) | Virou Casa Verde e Amarela (Bolsonaro, 2020); retomado (Lula, 2023) | Ativo |
| Fundef / Fundeb | Educação | Fundef (FHC, 1996) | Fundeb, ampliado ao ensino infantil e médio (Lula, 2007); tornado permanente pelo Congresso (2020) | Ativo |
| Enem e Sisu | Educação | Enem (FHC, 1998) | Enem vira porta de entrada nas federais com o Sisu (Lula, 2009–2010) | Ativo |
| Fies | Educação | FHC (1999) | Forte expansão (Dilma, 2010–2014), seguida de cortes e regras mais duras a partir de 2015 | Ativo, menor |
| ProUni | Educação | Lula (2004) | Bolsas em faculdades privadas em troca de isenção de impostos | Ativo |
| Lei de Cotas | Educação | Dilma (2012) | Revisada e mantida (Lula, 2023) | Ativo |
| Pé-de-Meia | Educação | Lula (2024) | Poupança para alunos de baixa renda que concluem o ensino médio | Ativo |
Quem melhorou a educação, afinal?
Ninguém sozinho. A educação brasileira melhorou devagar e de forma contínua, atravessando governos de todos os lados. Os programas que funcionaram foram os que sobreviveram às trocas de presidente.
FHC montou a base: o Fundef garantiu dinheiro por aluno para as escolas, o Enem e o Fies foram criados e a escola fundamental ficou praticamente universal. Lula ampliou: transformou o Fundef em Fundeb, criou o ProUni, o Sisu, os Institutos Federais e a maior leva de universidades federais. Dilma criou as cotas e inflou o Fies além do que o orçamento aguentava. Temer fez a reforma do ensino médio e a Base Nacional Comum Curricular. Os anos iniciais seguiram melhorando com Bolsonaro, mesmo com a pandemia*, e o Congresso tornou o Fundeb permanente em 2020.
O exemplo que mais funcionou não veio de Brasília: o Ceará criou em 2007 um programa de alfabetização na idade certa que levou suas escolas ao topo do Ideb e depois foi copiado pelo governo federal.
O que cobrar: o ensino médio e o desempenho no Pisa continuam muito ruins. Ampliar vagas foi o que o Brasil soube fazer; agora o desafio é garantir que o aluno aprenda.
Fontes
- Censo 2022: alfabetizados no país são 93% — Correio Braziliense
- Analfabetismo cai para 4,9% em 2025 (PNAD Contínua/IBGE) — Diário do Nordeste
- Ideb 2005–2023 — infográfico do MEC/Inep
- Ideb 2025 mostra avanço da educação básica — O Povo
- Divulgados os resultados do Pisa 2022 — Agência Gov
- Comparação das posições do Brasil no Pisa — Aos Fatos
- 73% dos alunos não sabem o básico em matemática, diz Pisa — O Povo
- Por que o Ceará tem as melhores escolas públicas do Brasil — Gazeta do Povo
- Brasil tem mais alunos a distância que presenciais (Censo da Educação Superior) — Agência Brasil
- Universidades criadas por presidente, com dados do MEC: Lula 14, JK 11, Costa e Silva e FHC 6 — Agência Pública (2017)
- História da UFJF: lei de 1960 federalizou cinco faculdades — UFJF
- História da Ufes: universidade estadual federalizada em 1961 — Ufes
- Lista de universidades federais, com o ano de fundação das instituições de origem — Wikipédia
- ProUni e novas universidades: 14 com Lula e 4 com Dilma (MEC) — Agência Pública
- Lei 10.419/2002, que cria a UFCG — Planalto
- MEC conclui criação de 5 universidades — Poder360
- Sancionada a lei que cria a UFNT — Conexão Tocantins
- Reforma universitária de 1968 e expansão privada — Revista Pesquisa FAPESP
- Bolsa Família: histórico — Wikipedia